segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Brasa frígida

Seus olhos são o espelho de qualquer mar que se desmonta no luar profundo de um semblante astuto e eficaz. Sua delicadeza é flor de espinhos mortais, somos todos minguantes, pobres, imorais. Somos pedra, como querias Pedro ser, mas não era. Somos foice, somos faca embanhada, somos mar, flor e fel. A destreza é o que se desdobra à nossa frente. Somos feito um gel que se espalha, como a luz que se propaga, como as arestas que se firmam numa edificação perfeita. Somos o certo e o errado, o firmamento e as estrelas silenciosas, somos mar.

Então se acalma que o pé sarará em breve.

São os olhos ébrios de sensatez, desperdício, avareza e sopa se desenhando no orvalho delicado que se forma nas folhagens dessa noite torta. Somos selvagens a alcançar o abismo, somos as pétalas desencontrando a flor, somos o vento que toma os cabelos e derrete as entranhas com vodka e limão caldaloso. Somos a parte que falta no todo para que o todo deixe de ser parte e passe a ser o que nunca deixou de ser, um todo e completo tudo.

Por enquanto seja seria, não molhe as pernas ou apresentarás a cauda.

Ou federá como fedem os mortos no sepulcro.

Só basta-me um gole de amor e um beijo de purê com cerveja pra que tudo seja como deve ser, pra que tudo esteja como deve estar, pra que o todo se complete em mim, que sou nada além de parte, e vida sem termo mediato demonstrado às claras. Sou o martir de qualquer destino meu.

Só no ar há menos dor que na pedra do bronze escalado.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

29. Sangue Envenenado

O pássaro que cavalga, a carruagem que se modela, o personagem de uma vida vã, mísera vida que se esconde, não se escolhe, que por detrás de faces gentis guarda um ritmo de narcisismo sanguinário, cruel e miserável. Quem percebe o galanteio nunca nota a flecha que gira e segue até a nuca, frágil nuca, escondida por uma tão fina e suave pele, penteada nos lisos fios dos cabelos que apenas se escorrem. Escalpo; a flexa penetra, o cérebro se perfura, a ofensa se derrama pelo rosto colado ao chão. Se escorre, até que alguém chegue para limpar, silenciosamente ensacam o corpo e limpam o chão vermelho escuro. Só a prévia da cena que rasga papéis virtuais no nobre velho computador.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

99. Pense

99. Pense

Pensar é abrir um liame entre dois universos, é agir em diligência interior para que o próprio julgo se adeque à própria consciência.

Não creia em nada do que eu digo, não respeite nenhuma teoria pela teoria. Se quiser, me respeite por minha humilde condição humana e discuta até que nos cansemos de respirar.

98. Trânsito

98. Trânsito

Via marginal, asfalto ardente
pressa matinal, eu imprudente
louco confiante, meio infrator
teimoso, mato e morro sem amor

adiante meu sangue se escorre
pneus espalham meu derrame
dou um trauma por um traumatismo
quem me vê agora, não dorme

Sangue meu por valetas se escorrendo
meu corpo agora sem vida
mal percebe o asfalto que o queima
minha vida agora sem corpo

meu corpo ao deleite de meu sangue
não mais se incomoda
nada sente de dor ou prazer
apenas morre...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

97. Educação mal sonhada

97. Educação mal sonhada

Luz que me guia sem me orientar, ando sem pressa e sem passos, corro sem sair do lugar. Minha vida se encontra com o olhar maduro de um mal graduado senhor, barbudo, sem temor, sem sonho, sem vida. O eu que conheci não era de hoje, e nem o que eu quero.

Um sonho acalenta meu pesar, meu martírio entristece minh'alma mas faz crescer minha evolução. Minha paixão cresce a cada dia, meu pensamento outrora volitante, hoje se encrava na dura terra que me resseca, me corroi e me prende ao sonho que nunca vou alcançar.

Ouço vozes que semeiam inverdades e tentam colher o que, em vão, difere-se de escuridão. A dor da criação malformada em vezes tenta justificar atos que de outros me atentam, ora convencem e me vencem, mas normalmente não me deveriam tirar a razão que me obriga a querer cortar o mau pela raiz.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

96. Quero um gole de vida

96. Quero um gole de vida

Com os olhos encharcados do sangue que me escorria à face, choro as lágrimas que me brotaram pelos poros quando o tempo me dominou e me queimou a carne. O fracasso que eu já esperava era de conter o sofrimento que não pude controlar, não fui capaz de não sofrer.

O martírio em sair de casa e enfrentar o ensolarado dia ardente traduz o desestimulo em me levantar da cama em cada próximo raiar do sol. A seca que me destrói aos poucos evapora minha vida e entristece meus olhos, não os deixando chorar.

Que a chuva despenque lavando o meu mundo, como a lágrima que lavaria minha face se eu não a racionasse para não me desidratar...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

95. Frágil fé

95. Frágil fé

Um riso incontrolável dentro do meu diafragma difama com pesar o modo como minhas atitudes são interpretadas, sem saber como, choro o impulso de um gargalhar que me queima e me fere. Não me contento no debate sem embate, não me basta a vida por si só.

Toda discussão, preferencialmente polêmica, melhor ainda se me for ferir os valores e queimar a moral e eu o mesmo fazer, é válida e necessária.

Não há evolução sem revolução, o mesmo para o próprio conhecimento, partindo-se da ignorância, há sempre um conflito, um distúrbio, uma enorme dificuldade até que se concretize um saber. Concretizando, mesmo que se descubra que é um saber frágil e questionável, dói ao saber que não se sabe o que se sabe.

Não se muda uma falsa verdade quando ela é acreditada com toda a fé que se tem, ou quando se quer nela crer...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

94. Sábios Manipuladores Indignos

94. Sábios Manipuladores Indignos

Como Descartes, com o perdão do trocadilho, devemos descartar todo e qualquer tipo de prévio conhecimento, devemos nos esquecer de tudo o que sabemos, lemos, vimos ou cremos.

Não devemos acreditar nem nos próprios sentidos, sendo eles frágeis e vulneráveis a ações exógenas.

Para então, a partir da ignorância, buscar uma primeira verdade fundamentada. A vida é controlada por aqueles que começam a perceber o mundo e descobrem o poder que acabam de ganhar com esta descoberta. Sendo uma verdade como esta enraizada no coração de pessoas imorais e indignas o mau passa a reinar.

A culpa não é dos que se deixam alienar, mas dos que alienam, pois deles é o conhecimento. Deles deve ser cobrado com todo o rigor da justiça e da proporcionalidade ao mau causado.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

93. Falta de coragem

93. Falta de coragem

Encrosto-me em facelas assimétricas e imorais forçadas a fazer nada além de prolixidade fomentada em comandos de desnutrição cerebral, corroborado com o sentimento obscuro de ódio e desprezo catalisado por distúrbio de ansiedade.

Sem medo meu dedo toma vida e se rebela apontando-se ao nariz da injustiça e aliada a meus lábios agora incontroláveis que gritam em termos de baixo calão, revidam a uma injustiça com ofensas mal pensadas e com rudes e arrogantes expressões do ódio experimentado. Caso fosse injustiça individual eu me contentaria com minhas impuras lágrimas e pelo gosto de sangue que escorre de meus olhos até salgar minha boca seca. Mas, quando por autoridade abusiva traz meu sentimento aos tantos outros que não sabem revidar sinto que sou necessário quando brigo.

Tento salvar os covardes com minha bravura. Pena que um dia pensei ser forte, ouço com ouvidos medrosos o som das bocas que eu queria que fossem minha.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

92. Quero a chuva para amar

92. Quero a chuva para amar

Sinto dentro de meu peito o amor que me comanda, me guia e me orienta. Minhas veias pulsam o sangue vermelho que meu coração para elas bombeia, minha paixão é tão profunda quanto o mais profundo oceano, minha agonia é o passar lento de mais uma semana de sol ou chuva.

Lembro-me das gotas de outrora, dos raios entrepingos refletidos, lembro-me de quando podia eu respirar sem dor e hidratar-me sem avareza. Quando do céu outra coisa cair que não aviões eu serei um pingo mais feliz.

Meu peito agora é taquicárdico, volto a voltar meus pensamentos ao universo paralelo de meus delírios, alucinações da minha abstinência semanal dos tão distantes finais de semana.

Só sigo pela certeza de que ao passar de uma semana, ela sempre acaba.

91. Sonho ruim

91. Sonho ruim

Quase que passou por despercebido, mesmo ínfimo notei o detalhe daquele olhar, profundo, como se me perguntasse algo que nem eu mesmo sabia que sabia. Sem ser capaz de resistir eu respondi um "não" em alto tom, com uma raiva que não sei de onde veio.

Não pude me controlar, é como se me tivessem dominado o corpo preservando só os meus sentidos.

Gritei para que eu me ouvisse e talvez parasse com aquele atentado genocida involuntário. Por mais que eu ouvisse, nada eu poderia fazer. Meu corpo não era meu, minha alma já estava entregue em outro endereço que não o meu.

Ao desistir dessa vida decidi acordar-me e voltar-me aos labores de meu cérebro cansado e hiperativo. Não posso viver de outro jeito, não sei. Quando tenho um sonho faço de tudo para que ele nunca acabe, o problema é que às vezes pego uns sonhos ruins...

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

90. Incrédulo

90. Incrédulo

A poesia que circunda o ambiente é vasta de insensibilidade e morta de sentido. Meu medo é de simplesmente sobreviver uma vida e da poeira voltar a ser poeira. Minha dádiva é o tempo que passo e perco em pensar no que não conheço, concordo ou fantasio.
Sem o que dizer eu deixo de pensar no que poderia ser dito.

A realidade forjada não traduz a verdade material, mas a união de várias verdades individuais e sensíveis. É tanta fantasia tida como razão...

Por mais que o pensamento seja reto, simples e concreto, a maioria das pessoas não entende. O conceito de abstrato é muito abstrato pra ser concretizado na cabeça das pessoas, por mais que seja razão, ainda que matemático, muitos não vêem lógica, e eu não vejo lógica em muitos.

Maculada a razão, a verdade e a percepção, morre o mundo em um profundo sentimento fantasioso, é onde as criancinhas juram ter visto um monstro em baixo da cama ou dentro do guarda roupas e ainda uma velhinha ter visto a "nossa senhora" numa mancha de umidade na parede. Tenho ouvido tanta materialização divina que às vezes até forço meus olhos para ver algo além de uma mancha...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

89. Sou pobre humano ingrato

89. Sou pobre humano ingrato

Divindade exacerbada causa danos irremediáveis.

É certo que só pela existência desnecessária do mau e mal, é que existe sofrimento. Queria eu poder, por um dia sequer, sentir uma faísca do poder divino, ter fé como ninguém, se ao ponto de mover montes e montanhas, nada eu moveria além da paz no coração das pessoas.

Meu filho Lúcifer, minha criação, não mais atrapalharia os tantos outros que por ele sofrem. Não haveria mais inferno nem céu, mas um lugar de tranquilidade e serenidade em que todos pudessem gozar de um pouco de felicidade.

Sei que o corpo humano percebe o prazer como sentimento positivo, assim, eu não daria resultados negativos a sentimentos positivos, ou mudaria os sentimentos humanos.

Daria credibilidade REAL, e não uma possível causa intangível para fatos ainda inexplicáveis.

Desavenças e discórdias simplesmente deixariam de existir, como num passe de mágica. Sentimentos como fome, raiva, ódio e tristeza, seriam simplesmente esquecidos. A morte seria desnecessária, vez que o universo seria constante e uno.

Eu faria reinar a paz, pois mesmo ainda não sendo pai, tenho plena certeza de que quando eu o for não suportarei que meu filho arranhe os joelhos, que dirá de passar a eternidade em um sofrimento que eu o dei, no pior lugar do universo que eu criei e sofrendo na mão de seu irmão, meu outro filho, que permito praticar tanto mau.

"Ao filho não basta os presentes de um pai ausente, é essencial a sua presença pessoal."

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

88. Minha pele encarna o deleite que minha ilusão jura matar

88. Minha pele encarna o deleite que minha ilusão jura matar


E quando me pergunto o porquê, sinto-me como a pedra que se move quando é lançada. Choro minhas lágrimas e sorrio meus dentes, família, amigos, os meus não são de ninguém, nada tenho, nada temo. Por tempo resolvi por ninguém mais viver além de mim. Por hora preciso prosseguir sobre a razão da boa convivência, mas gozo a solidão que me acalma por já ter me apavorado, se antes aterrorizado, agora paz.

Os segredos mais profundos que guardo, não são meus. Os anseios e desejos mais clamados são de algum desconhecido que algum dia passou em alguma rua qualquer. Tudo o que sou é roubado de alguém que nem ao menos um dia soube de minha existência, e nem eu da dele. Nunca fui nada nem ninguém além dos que já tive o deleite de invejar.

Crio-me baseado em um inconsciente meliante e delinquente, procuro não pensar, copio.
O desejo mais íntimo é ser alguém que determina, tacitamente, os trejeitos e a forma de ser e se portar de qualquer pessoa desconhecida. A vontade é ser visto e notado, sentir que vivo e viver.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

87. Introspecção

87. Introspecção


De meus olhos escorrem um fluido estranhíssimo que me queima a face, o sal me arde, mas é doce em vezes. Suspiros acompanham, ora extasiado de felicidade e outras triste. Sinto-me pseudodesligado de meu corpo que apenas em prantos energisa o que me circunda, com gosto doce de sorriso ou com o amargo da infelicidade que poderia me acompanhar.

Assim, sou tão humano quanto meu cachorro que me olha todas as tardes enquanto toma seu banho de sol matinal. Queria eu que meu dia também começasse quando meus olhos se abrissem, assim, sem prantos nem velas, sem rezas nem agonia eu me guiaria no flutuar de meus dias cálidos, trôpegos e ávidos.

Em um soluço me acordo e volto à minha realidade utópica em que em sonho desejo estar mais acordado que o capitão gancho dentro da boca do crocodilo. Quero ouvir o barulho do relógio que só soa seu desperte quando o grilo deixa de chorar seu pranto em desafino.

Espero que minhas falas neológicas toquem pelo menos o meu coração quando um dia se eu nada tiver a fazer me remeta às minhas introspecções. Volto à busca do meu eu inconsciente e percebo não conhecer nem um décimo de meus conhecimentos ou da imundice de minha ignorância arrogante, hipócrita e ignorante.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

86. Velho²

86. Velho²

Fronte ao espelho quebrado do banheiro vejo uma lágrima que de meu olho brota, escorre molhando minha face e desmanchando meu sorriso. Diante de mim mesmo, aos prantos, sou nostálgico, fraco e envergonhado. Minha pele não é mais tão lisa como em outrora, olheiras e rugas já se alastraram, agora com meus quase setenta e poucos anos nada sou além do que ainda consigo me lembrar. Minha memória é pouco confiável, minhas lembranças nem sei ao certo se me lembro ou se ainda as crio. Sinto saudades de quando eu queria e podia correr, de quando ainda tinha audição para ouvir o canto dos pássaros e me incomodar com o grilo atrás de alguma misteriosa porta. Queria eu poder ainda ter visão para que eu visse o trabalhar das formigas incansáveis e frágeis, como eu. E simplesmente poder sentir o amor que não conheço mais, queria que todo esse sentimento de pena se transfigurasse no puro amor que eu já, por muitas vezes, dediquei a todos que hoje me cercam.

Agora velho, sou a espera do que mais temo. Quando me vêem sabem, apenas espero. Não tenho mais nenhuma vida, mas também, ainda não tenho a morte.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

85. Falta de equilíbrio

85. Falta de equilíbrio

Quanto mais eu sigo meus pés minha vida desliga meus olhos, independentemente dos dias, sendo chuvosos ou ensolarados, meu peito arde a ansiedade do caminho que ando. Choro sem motivo, sinto gosto de felicidade mas preciso do sabor apimentado para queimar meu paladar. Sonho em poder sempre sonhar. Temo a refração, a reação da minha vida plena de hoje, se o sentido é nela ao contrário fico sentado me esperando sofrer. Quanto mais eu hoje sou feliz maior é a consequência que meu corpo há de dividir com minha alma. Sem equilíbrio, com excesso de felicidade, não me vejo de outra forma senão com o futuro certo com sabor de destino traçado, eu hei de sofrer. E se tão intenso em sentido contrário, ao sofrer tenho certeza plena de que vou enlouquecer.

Quase não suporto, sem dor, tamanha felicidade, que é um sentimento positivo. Eu com reação negativa de mesmo potencial ofensivo, só vejo a morte ou o enlouquecimento.

Estou mais feliz do que eu deveria...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

84. Canso

84. Canso

Agonizo sem perecer, aquieto-me, cada fio das madeixas paira fronte a meus olhos cansados entreabertos, a cada fração de tempo sinto-me melhor, às vezes pior. Regra é que me deito quando me canso, e talvez eu nem mesmo me levante. Quem sabe não fico à espera de um Deus qualquer a me obrigar? Tantos dias aqui estou sem nada pensar além do que me é orientado... Não penso.

Estou desorientado na verdade, sem nem um dilema válido, sem questões que eu creia devo refletir, discutir, pensar. Não penso nos últimos segundos.

Nada vale tanto a pena. Deixo que pensem o que quiserem, ainda que estejam idiotamente errados. Calo-me quando ouço besteiras, e quando me cantam em coro, ainda sei que nada me dizem, apenas vomitam retardadices sobre mim, não me importo mais em me sujar se tenho água para lavar minha alma quando volto para casa.

Nem quero mais estressar, o problema não é mais meu. Já desisti de entender e mais ainda de convencer os que nada entendem de que eles não entendem nada. Estou de saco cheio de ser visto como prepotente, apesar de ser, estou cansado de ser ouvido com olhos aterrorizados, nada mais convenço ninguém além dos que me questionam. Não vou mais impor uma verdade sobre uma mentira.

Percebi que apesar de uma burrice ser muito burra, uma idiotice ser o máximo de idiota possível, tem gente que acredita e lança mão da própria vida sobre isso, e não me cabe dispor a felicidade acreditada por um conhecimento superficial e racional, talvez infeliz ou imoral.

terça-feira, 18 de maio de 2010

83. Turbilhão

83. Turbilhão

Antes correr que só andar. Numa ladeira minhas pernas doem quando tento ir devagar, penso às vezes que vivo uma eterna descida. Perdi um pouco o medo de me ralar, já não tenho mais o frio na barriga quando com o vento em minha face, sinto esse frio na barriga, de ansiedade, quando tento, sem querer, parar pra descansar. Minhas ideias borbulham sentimentos que me fazem desconexo, sinto descompasso, sinto de novo o mesmo frio gelar minhas entranhas, incomoda. Meu erro é tentar ser o que não sei se sou, minha certeza é de que ainda não sei, esse é o meu problema. Não consigo me projetar no tempo tomado da certeza de felicidade. Felicidade - pra mim, um ideal, uma luta eterna e diária. Sei que é mais complicado entender do que sentir felicidade, eu ainda, nem sei ser feliz com o sossego, com a paz, preciso de ação, emoção, não me basta não estar mal, preciso sentir o bem, ofegante, escorrer por minha pele.

Estou meio sem fim pro meio que acabo de começar...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

82. Eu quem?

82. Eu quem?

Se fecho os olhos, e fecho, de uma semana para outra, não mais me reconheço no espelho do banheiro. Quando penso em me lavar, percebo que nem sei quem lavo, quase não me vejo como eu gostaria. Estou sempre ocupado de mais para ficar comigo um pouco.

Busco felicidade em tantos lugares quanto nem sou capaz de administrar. Quando nem percebo em uma busca viajo à outra, às vezes até fico em outra estando em uma. Meus conceitos estavam tão bem formados que se fundiram em um monstro que comeu todo o meu conhecimento, toda a minha ideologia. Eu sabia tanto que me perdi. Tudo o que eu pensava saber simplesmente deixou de existir, sem que eu me desse conta.

Não crio barriga, não me vicio, não me conheço bem...

Quantos anos tenho? me perguntam, digo sem pestanejar: 19. Me perdi no tempo, não sei mais quem eu sou, onde estou, menos ainda onde quero estar...

Só o absoluto não se relativiza, só o amor se cristaliza, sublime é meu coração, ora pedra, ora amoeba. Não quero ser o que não quero ser só quero saber quem quero ser pra poder saber quem não quero querer ser...

terça-feira, 27 de abril de 2010

81. Confiança aleatória

Confiança aleatória

A bem da verdade deveria ser a vida
Pois nela foi que houve o pecado vosso
Ganhara na própria palavra o louvor
E no próprio louvor a perde

Para ser profissional
Faz-se humano
E por ser humano
Só resta-lhe mais um perdão

Digo a mim sem divulgar
Não se deve confiar
Se da pergunta vejo resposta
Não arrisco sem aposta

Perder ou ganhar é crescer
Junto à malícia das perguntas
Perco verdade em uma palavra

Cresço em novamente não crer
Julgo tão somente nada ser
Além de alguém que só almeja crescer

quinta-feira, 8 de abril de 2010

80. Vida Boêmia

80. Vida Boêmia

O sábado é boêmio como o soar noturno do canto silencioso das corujas, que com seus grandes e arregalados olhos pairam sob a noite cálida. Por características naturais evolutivas as corujas vêem o mundo rodar, como o ébrio que não se segura e em sua cama percebe a rotação, translação, gravidade, tudo, pode sentir na pele a física.

A noite de sexta traz consigo o perfume do dia seguinte, a ansiedade...

Nostalgia (natural), depressão (clínico), arrependimento (talvez), amnésia (mentira?), definem os domingos, cansados, repositores, é quando pensamos que não vamos sobreviver à próxima semana, árdua, cansada, trabalhosa, formal, até os sorrisos agora são formais.

Tudo acontece com um brilho que a cada dia se torna mais próximo, do cansaço que descansa, da física pura, da química, do Amor e da saudade constantes, e da espera por pelo menos mais um final de semana.

terça-feira, 6 de abril de 2010

74. Etéreo

74. Etéreo

Com os olhos entreabertos meus dedos apenas deslizam sobre o teclado, que por si só, escreve. Meu sentimento é concreto, meu conhecimento é vago. Minhas emoções, meus sentidos estão à flor da pele. Sinto cheiros e gostos que pairam por minha lembrança. Vejo paisagens que já se foram, ouço notas que ainda nem existem, minha pele percebe uma suave brisa que escorre por todos os cantos a meu acesso. Agora sou além de meu corpo. De fora me percebo e compreendo que nada sei além do que posso perceber. Nada entendo além do que toco, vejo, ouço, sinto. Sou tão ínfimo quanto eterno, tão suave quanto denso, e tão quente quanto as águas do pacífico. Nada sou.

Agora com os olhos encharcados, tudo é névoa, tudo é neblina. Minha audição se fecha, minhas memórias se esvaem, minha pele é esquecida. Volto a mim, não me percebo, nada sinto. Sinto que sou forte, sou gente, tudo sei, tudo sou. A partir daí minha humanidade desvirtuosa retorna a minha personalidade frágil e tão corruptível quanto corrompível. Se antes divino agora sou carne. Se pude um dia experimentar a harmonia do movimento subatômico agora me peso sobre o chão, duro, muito duro, difícil de suportar sem dor, sem lástima.

73. Vida da minha história

73. Vida da minha história

Não vou abrir mão da minha única vida em busca de um futuro incerto. Não me faço feliz nem infeliz, nem nada. Sou nada além de agora, meu passado deixou de existir assim como o futuro que ainda não é, nem foi, apenas talvez será. Absoluto é o passado, o futuro é relativo. Fazer deixar o hoje de existir é como me deixar no futuro esquecer-me de meu passado. Talvez por ele nem ter existido na prática. Incrível que as lembranças que temos normalmente se resumem a feriados prolongados e férias extensas, viagens, passeios, só o divertimento gruda-se, em bom espaço, nas memórias.

Como devo eu ousar não escrever minha própria história, deixando de sentir cheiros e gostos, correr por gramados e repousar nas sombras de uma grande árvore. Quero me lembrar das raízes, das formigas, do espinho no meu pé esquerdo, das picadas de abelha, do café com queijo e biscoitos, das amoras rente a muro, dos grandes monumentos nas praças, dos giros, do suor na camisa que nem quero mais vestir antes de lavar, do passeio à cavalo, das pernas doendo ao fim do dia. Quero não esquecer-me nunca dos longos beijos, dos dentes se batendo, daquele olhar de canto quase que sem piscar, sua respiração, seu cheiro. Minha memória deve ser tão profunda a ponto de eu poder jogar nela tudo o quanto minha vida pode me fortalecer.

Meus segredos são minhas lágrimas, sozinho no banheiro a água do chuveiro se confunde com a dos meus olhos. Minha face fronte ao espelho me mostra um soluço, meus cabelos escorridos agora seguro tão forte quanto fosse arrancá-los, sinto-me feio, triste, não me acostumo comigo. Não me reconheço. Por um flash penso apenas me observar naquele escândalo, quando vejo, quando penso, quando volto a mim, não vejo motivos, a não ser a dor da minha implosão de felicidade. Não posso descrever, mas às vezes sinto que mereço chorar. Mereço sentir além de viver. Penso que devo não só ter uma história, mas quero também sentir, curtir, estar não só presente, mas atuante em minhas lembranças, como ser consciente, quero ser autor, protagonista e não só figurante, não quero ser testemunha.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

72. Incrível

72. Incrível

Mais forte que um vulcão, mais ligeiro que a espada de um samurai, tão discreto quanto um ninja bem pago. Minha mente me arrepia, meus dedos deslisam pelas teclas sem embaraçar. Imagino agora meu violão, que nada toca, nada me canta, apenas me espera. Posso me conter em saltar de um andaime do mais alto prédio, onde eu devia apenas pintar as janelas, posso me contradizer quando afirmo não pensar, posso pensar em morrer simplesmente por estar mais vivo que uma pedra, uma pedra me é lançada, nada temo, nada tenho além de medo, nada faço, nada posso além de correr, me aquieto, não me deixo intimidar. Meu olho, agora roxo, me apresenta ao gosto do sangue que escorre por minha face suada, cansada, amarelada. Começo a sentir cheiro de chuva, quando toca o asfalto, os respingos não me tocam, não me insultam, não me embelezam, não me fazem mais feliz, apenas o cheiro, o perfume do vento que toca água em toda a direção, inclusive na minha, parado estou, imóvel permaneço.

Nada sei, nada sou, estou meio morto e um pouco vivo. Cansado de respirar, e loucamente feliz.

71. Confesso

71. Confesso

Nada mais prende minha boca seca, nada mais doce do que uma gota de mel lambuzada no dedo. Se minha garganta suportasse, se meus pulmões fossem eternos, meu grito estrondaria não só o planeta, mas todos os universos inteiros. Se eu pudesse fechar meus olhos e não enxergar o amor eu seria infeliz, se eu visse escuridão ao invés de um sonho, meus olhos se banhariam em sal, água e tristeza.

Agradeço à sorte pela vida que tenho, e à vida pela minha sorte. Sou feliz, sou tão amor quanto o próprio amor. Sou tão orvalho quanto o vento que me toca, a cada manhã renasço com mais força, vida, mais amor. Se meus olhos se abrem, o sol se faz e me faz feliz, se te vejo em sonho quero a realidade, na realidade quando te vejo é um sonho.

Uma gota de orvalho, um sopro de vento, um olhar no amanhecer, um pássaro cantando, meus sonhos. Meus amores se encontram, minha vida é sua vida, meu prazer é sua presença, minha saudade é sua falta, minha felicidade: você!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

70. Não sei bem certo...

70. Não sei bem certo...

Penso que ainda durmo, estou acordado, ainda não abri os olhos. Não pretendo abri-los. Começo a me lembrar da pedra que me foi lançada, não tive astúcia, meu coração vê-se nocauteado, meus sentimentos se desdobram, minha razão, minha emoção, nada mais existem. Tudo é caos de agora em diante, tudo são trevas, escuridão toma posse de mim, nada mais vejo, apenas o nada. O frio se confunde com o fogo, o gelo esquenta meu coração ardente. Estou triste, tenho dor, estou confuso.

Choro, não tenho lágrimas, me despeço correndo ao seu abraço, aí fico. Não me movo, calado, só ouço meus soluços.

O vento me toca, com ele voo, minhas asas começam a se abrir, imagino um sorriso no canto da minha boca, meus cabelos batem em meu rosto, de braços abertos sinto o vento me tocar, me arrepio, meus lábios, antes secos, se tornam um rio, minhas mãos, antes tremulas acariciam o vento, eu apenas subo, quanto mais subo, mais desejo a queda, mais espero o fim, meu medo volta, se antes em dança com os céus, mais em baixo vejo o mar.

Meus dedos tocam a água, ainda consigo me manter em voo. É mais forte do que eu, o sal, a água, gritos que ouço, as ondas me tocam, o frio da água me estremece, estou esperando o momento certo, sinto que vou descer, mas quanto mais irresistível, quanto mais desejo ouvir um convite de suas ondas, maior é meu medo, mais insuportável é a vontade de me jogar, não consigo, não posso...

Lembro-me bem, era noite, como em todos os dias, uma luz reluziu ao longe, passou por mim, veloz, tão rápida que nem pude ver, nada fiz, apenas esperei. A cada flash de lembrança crio uma imagem, um som, uma nova ilusão. Não sei quem sou, não sei o que era, mas nada existia que eu quisesse mais, nada existia que eu quisesse, nem menos, nem mais, nem nada.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

69. Amor de mãe

69. Amor de mãe

De repente começo a acordar, meus olhos não se abrem, começo a ouvir não sei exatamente o que, sinto-me bem, acolhido, húmido, aquecido. Vejo que cresço a cada dia, estou bem, estou feliz. Agora ouço mais vozes, não identifico o que dizem, estou apertado, não posso me mover como eu gostaria, já sinto meus dedos, minhas mãos, meus olhos se abrem, minha boca consegue se mexer, me movimento a cada dia mais.

Hoje sinto no dia um gosto diferente, como se eu não coubesse mais aqui, estou quase saindo, ouço gritos a cada contração que sinto ao meu redor, dentro de mim percebo que meu mundo está prestes a mudar. Em minha cabeça uma grande confusão.

Olho para cima, vejo um ponto de luz, algo que eu nunca conheci, era tão bonito, encantador. As contrações se aumentavam enquanto a luz a cada instante tomava mais meu lugar, quando finalmente consegui ir ao seu encontro ela me cega, a luz branca artificial era tão intensa que não pude a princípio reconhecer face alguma, mas pude entender a silhueta de alguém que, não sei por que, me pareceu a mais bela de todas, deitada, parecia que dela eu saia naquele instante, e uma senhora com cabelos longos dali me tirava, minha visão começava a desembaçar, comecei a ouvir vozes entendê-las, de olhos direcionados ao chão senti que devia chorar devido aos tapas que senti, não sei por que, a senhora me pegou em seu colo, e tentou sugar minha vida, ao tocar seus lábios em meu nariz percebi, pude então respirar melhor, eu não fazia isso, não entendi a princípio, comecei a me acostumar depois de ouvir uma cuspidela ao chão, do outro lado da sala ouvi: - Parteira, a tesoura já está lavada. Ela então corta a ligação entre mim e a bela mulher deitada. Sinto-me vivo, mas em outro ambiente, não tão acolhedor, seco, frio.

A senhora me entrega em oferta à mulher, dizendo como se para que eu ouvisse: - Essa é sua mãe. Meus olhos se encharcaram, tentei esboçar um sorriso, em vão, não pude controlar meus músculos, senti que devia chorar, algo dentro de mim desejou que eu me alimentasse, por um instante senti que precisava do colo daquela que eu achara tão bela. Não pude deixar de perceber quando em sinal negativo balançava ela sua cabeça tendo sua mão esticada em palma, com os dedos abertos. Não entendi direito, será que ela se rejeitava a me tomar em seus braços? Como em ordem a senhora me coloca, à força, sob os braços de minha mãe, ela não pode resistir. É então que encontro seu seio e entro em êxtase de felicidade, era tudo o que eu precisava.

Não me lembro bem dos três dias seguintes, mas não pude deixar de notar quando o sol começava a brilhar sob meus olhos, no colo, sentindo que eu flutuava sobre o chão, eu era carregado nos braços da minha mãe, aquela que me deu a vida, aquele a quem sinto forte sentimento, com quem me sinto melhor. Em um braço estava eu, na outra mão um cesto, perto dágua, no grande rio próximo à minha casa, senti-me triste quando fui colocado no cesto, um incomodo, algo me espinhava às costas, e um pano começou a me cobrir, o sol começava a se esconder, só pude então ver uma fresta de luz, num buraquinho no pano, por ele notei um olho da minha mãe, eu não queria estar ali, não entendia o porque dela me colocar ali, o cesto então foi arrastado até a água, comecei a me enjoar, eu não chorava, não entendia o que acontecia, pensava que por aquela ser a minha mãe ela sabia o que fazia e entendia que seria o melhor para mim, não sei por que, não me sentia bem. Já estava com fome. Ouvia gritos desesperados, ordenando ao cesto que se afastasse, a voz ia ficando cada vez mais baixa, até que sumiu, pelo buraco no pano apenas podia ver o sol tentando me queimar, minha vontade era de então chorar. Meu pranto era inaudível. Minhas lágrimas me afogavam. Água começava a entrar no cesto, comecei a afundar. A cada tentativa por respirar meu choro era mais alto. Desesperei-me, senti que estava sendo abandonado. Nada fiz além de amar, e assim me foi retribuído. Estou triste, a água invade o cesto ainda mais, até que então a correnteza me lança a uma das margens, nada mais sei, nada mais sou além de uma criança em prantos.

A cada soluço me é lançado uma porção de água. Tento me calar, é em vão. Tento me mover, não posso. Não domino meu corpo. Não posso fazer nada além de chorar. Estou triste. Aos poucos volto à água, nada mais posso fazer, apenas me afundar, o cesto vai descendo, e eu com ele, a água me toma começo a bebê-la, começo a respirá-la, nada posso fazer contra isso, sou lançado de uma pedra a outra, meu corpo dói, não consigo me mover. Por ultimo, meu corpo já quase sem vida é arrastado pela correnteza até a areia, onde minha pequena boca se resseca ao engolir aquilo, não estou feliz, sinto saudades da minha mãe, do aconchego de antes da luz, já meio que desfalecido ali fico, por horas, até que não sei ao certo se sou resgatado. Depois disso de nada mais me lembro, apenas do amor que senti, e do carinho que desejei.

sábado, 2 de janeiro de 2010

68. Eu alguém

68. Eu alguém

Eu que hoje não tenho mais nem uma peleca de dez reais no bolso to vendo um sorriso estampado na cara que nem sei se é minha, refletida barbuda no espelho gigante que tento olhar de longe...

Eu que não sei quem eu sou nem pra onde vou nem de onde eu vim, penso que quero ser o que eu nem sei de verdade se quero...

Eu já fui forte, seco, gordo e estrupiado. Cabelo grande, curto, sujo e raspado.

Não descobri qual eu prefiro nem qual sou. Mas sou, eu sou.

Tentei ser padre, médico, pastor, advogado. Tentei cantar, dançar, sorrir e até chorar. Já dei meus pulos pra tentar ficar de pé, mas no final eu me deitei. Eu já cai, me levantei, quebrei a perna.

Só descobri quem eu era num dia estranho, mas era noite, fazia frio, meu cabelo era grande, não tinha vento, eu vestia jeans, minhas unhas eram mal cortadas, eu não estava bebendo, eu fui feliz, me senti feliz, hoje estou bem, feliz, estou feliz. O dia era tão estranho, que nem me lembro mais.

67. Meu amor

67. Meu amor

A dor que de meu peito escorre arranca lágrimas para toda uma eternidade. Sentir força ao ver no medo um bom lugar, desejar o prazer na felicidade e suar sangue no pulso forte em meu peito. Hoje sou outro. Me sinto melhor...

De olhos fechados ou abertos tanto faz, uma luz intensa me cega. Quando durmo torno a ver cores que nem conheço, na escuridão vejo luz, no mundo um lar. Meu quarto é meu pequeno universo; se comigo estou não quero, bem acompanhado fico bem. A dor de hoje é meu prelúdio, minha bênção, meu sofrer me faz feliz.

Sou quem sou por um motivo, como em simbiose, aglutinaram meus eus. O eu de antes desejava em segredo ser meu eu de hoje. Sou o que sou por te amar. Te amo!

Àquelas lágrimas: gratidão; felicidade, por todo o meu amor. Se pudesse eu intensificá-las, seriam sólidas pela consistência do meu sentimento. Em meu mundo vejo luz de seus olhos refletidas, que vieram mostrar meu caminho, direcionar minha vida, me fazer te amar.

Se eu puder te retribuir uma faísca da felicidade que sinto serás a mais das felizes. Amo-te com todo o meu amor.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

66. Vida

66. Vida

Loucos ingênuos se travestem de humanos e se jogam no mundo com vontade de viver cada segundo de uma vida comum, como se ela fosse única e diferente.

Quanto mais eu corro, mais perto ficam de mim, a escuridão em meus olhos fechados me leva a um extase que me induz a tudo aquilo que eu sempre sonhei não ser.

sábado, 22 de agosto de 2009

65. E os dias continuam se arrastando pelo tempo...

65. E os dias continuam se arrastando pelo tempo...

Quando a gente cai, a gente se machuca, a gente se levanta, algumas vezes com o gosto de sangue na lembrança. O desespero que em pouquíssimos segundos sofremos, acaba bruscamente, mas o coração continua pulsante, saltitante e vibrante.

Quando a gente se sente mal o mundo se fecha, podemos ver nuvens de fumaça subindo sobre o céu. Os pássaros nunca cantam. O vento nunca toca. O sol deixa de brilhar.

Quando o medo toma conta o desespero se levanta. Quando a paz volta a reinar a vida se normaliza, se tranquiliza, se estabiliza.

Medo meu de mudar. Medo meu de sofrer. Ninguém sabe ao certo o medo que sinto de não me sentir tão bem quanto estou. Nem eu consigo vislumbrar o inevitável.

A vida é feita de mudanças, como numa roda gigante, hora estamos no alto, mas inevitavelmente temos que descer...

É triste o meu medo.

É desesperante o medo que sinto do desespero...

Enquanto a vida me mostra o topo, e me faz ter visão plena, me felicito e faço de tudo para continuar assim... Meu temor é pelo que tende a vir, não sei como, não sei quando, não quero que nada aconteça.

Sempre me gabei por minha facilidade de adaptação. Só que depois de pensar um pouco, percebo, não é bem assim, há situações que não me vejo ultrapassando, situações normais, naturais e já esperadas.

Tenho medo que o medo me mate. Me mato por morrer de medo de morrer, ou do medo.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

64. É só o amor

64. É só o amor

Não deixe que as mazelas do seu cotidiano ataquem o seu coração. Não se deixe levar pelas más influências que todos nós impomos sem sequer notar que o fazemos quando sem querer repugnamos com gozações o ser apaixonado. Não tenha medo de amar, ame. Não tenha medo de se apaixonar loucamente, apaixone-se.

Todos temos vários amores esperando por serem descobertos, alguns nunca serão. Escondem-se em desejos, outros em sonhos, personalidades e escolhas.

Não se sabe como medir a intensidade, mas o amor está no ar, nele tomamos força e coragem para continuar com a árdua e ilusória trajetória em direção a um suposto e acreditado progresso e evolução pessoal. A princípio poderíamos compreender como uma busca pelo bem estar e pelo bem viver. Mas não se tem também conceituado, e de unânime aceitação, o entendimento real de tais expressões. Seria o conforto? O prazer? Não se sabe o que é realmente a satisfação pessoal, ela é pessoal, individual e incomparável ou imensurável, não há como catalogar ou prever. O que se sabe é que todos dizem buscar o mesmo fim. A felicidade.

O melhor caminho até ela, como quase todos já pudemos perceber é o amor verdadeiro. Aquele que não se iguala, o último e satisfatório. É a união de amizade, companheirismo, prazer e compromisso numa única relação bipessoal.

Hoje tenho uma notícia relevante, fácil de se entender e que tem poder para mudar o rumo da vida de qualquer pessoa que quiser, para melhor. Basta que se abra possibilidades para encontrar um amor, basta que se viva de olhos fechados e bico esticado, ame pelo amor e não pela pessoa, e a pessoa te amará. Seja você. Todo Ying tem seu Yang, tudo na vida pode se completar, basta boa vontade. Todos somos amáveis e amantes.

Só uma dica que deixo: Vá procurar quem te ama, pois hoje a vida está amando fora de controle...

domingo, 26 de julho de 2009

63. Não sou eu...

63. Não sou eu...

Me mato aos poucos, não me importo com o que as pessoas dizem ou pensam sobre isso. Me afundo em meus vícios sem pensar em deixá-los. É como se eles já fossem parte de mim. Vejo gente aparentando diversão, mas não me divirto, quando o faço, minto. Não sei se com todos é assim. Tem alguns que mostram saúde, vigor, força e até um futuro. Não me importo com isso, não temo a morte, pra falar a verdade, não sei, mas acho que até gosto da ideia. Tácitamente sim...

Tenho medo de escuro, com a visão já meio turva é fácil não encontrar o copo, à minha frente. Não gosto de solidão, mas afasto todos que me rodeiam para que eu mantenha os vícios que me corroem me corroendo. Quando alguem se aproximava, normalmente aparecia uma frase ou um papo que realmente não me interessava, querendo me mostrar que não é só de acúcar que as veias se entopem, mas principalmente de gordura, já me disseram que o alcool me deixa chato, até percebo as besteiras que falo, mas, não ligo de não falarem comigo, acho que não ligo...

Hoje estou só, me passou pela cabeça que meu vício afasta as pessoas, por isso fiquei triste, por ficar triste resolvi beber um pouco. Não estou muito bem.

Sou egoista, aceitei minha fraqueza ao invés de combatê-la. Não me importo com o que eu deixo pra traz a partir de meus atos, já que eu consegui um, ainda que curto, período de vida em que ao que eu gostaria de mostrar, doei tudo o que eu pude aos que me querem bem. Sei que não é o bastante, sei que seria melhor se eu me doasse e a vida que eu poderia ter sem meus vícios. Mas meus vícios, às vezes penso que não são vícios, não me deixam como todos dizem, nada disso me faz mal. O que me faz mal é o que as pessoas pensam deles. Meus vícios, ah meus vícios...

Por outro lado, sou eu que pago, eu garanto a compra e o consumo. Penso que por ser lícito é permitido e deve ser consumido. Sustento meus vícios. Frase que tenta mostrar uma ideia de liberdade, mas que com ela traz os grilhões de ferro ressecado, enferrujado. Até é possível tirar, mas dói. Não sei se vale a pena. Não vale a pena.

Sou um ser sociável, quero ter uma vida normal, e de preferencia uma morte normal. Digo que faço tudo pelos meus, mas será que isso que faço não é para satisfazer a justificativa para minha fraqueza? Será que realmente vivo pelos meus? Se o faço, ainda é tempo de eu procurar me tratar... Ainda posso guardar comigo a chance de alguns minutos a mais de vida, como a minha família desesperadamente clama sem que eu me deixe ouvir.

terça-feira, 21 de julho de 2009

62. Sou todo o nada

62. Sou todo o nada

Tudo o que sou é nada além de um amontoado de carne, pele e ossos que teimam em pensar, e ainda que pareça inútil, costumam condicionar a própria vida às prospecções imaginadas. Vivo como se eu tivesse o poder de controlar o meio em que vivo, não percebo que sou apenas parte dele. O sistema é pronto e completo. Não me cabe recriá-lo! Não sou nada além de mísera parte de um todo.

Não digo que o todo sem a parte não é todo, nem que a parte sem o todo não é parte. A mim não se encaixa. O todo é tudo. Ele não é relativo, não se considera nada além de tudo para o todo em seu sentido completo. Assim sendo, não se considera todo a parte de um todo, a não ser que o conceito seja entendido em partes, e não como um todo, não por completo.

O mundo é o sistema, é o todo, eu sou parte dele, não modifico nada além da parte que me cabe. Não sou nada além de mim. E não sou nada além de carne, pele e ossos.

Sou feito de material perecível, sou biodegradável. Hora ou outra volto à terra, de onde sou provindo. Hora ou outra vou me ver em partes do todo que um dia fui. Até então vou morrendo aos poucos, deixando por onde eu passo, parcela de minha vida, não ganho ou completo anos de vida no meu aniversário, eu apenas perco os que se foram, e não voltarão...

Vou alimentando meu corpo, acabando com outros materiais, para compor o que perco, o que o tempo me corrói. Me recomponho ao passo que morro, não espero a hora em que não serei capaz de reconstruir a energia que preciso, não vejo a hora.

Se eu fosse presenteado com a eternidade, eu não pensaria em nada além de: O que o tempo se preocuparia em tirar de mim? Valeria a pena?

sexta-feira, 10 de julho de 2009

61. Dor

61. Dor

Existem dois tipos de pessoas, as que sabem ou buscam saber e as que acreditam ou buscam acreditar. Aos que acreditam, o conhecimento não é eficaz, por ser desacreditado, e o contrário é verdadeiro, por não ser conhecido.

Apenas crer não resolve o problema dos que sabem. Não o problema atual, a dor, mas sim o remédio que ataca quimicamente o que agride o organismo.

A dor é essencial, ela só existe como consequência de causa anterior, nos faz sofrer para não mais errarmos de forma que sintamos novamente a mesma dor. Esse efeito é inconsciente, visualizável e natural.

É como o indivíduo que martela desconcentrado e acerta o dedo por engano, da próxima vez, é comum que se preste mais atenção na tentativa de se evitar novo erro e mais uma vez sentir o dedo latejar.

Quando não se sente dor o suficiente para não mais voltar a errar, a dor não é eficaz, com ela nada aprendemos, aí que se deve ir de encontro à cura ou buscar a causa e, conscientemente, procurar não errar (é possível, mas como o processo é racional, é mais difícil pois o corpo está preparado para evitar errar para evitar a dor e não simplesmente não errar por não errar).

Dizemos: "Pelo amor ou pela dor."
Quando tomamos o medicamento optamos por aprender pelo amor, ainda que não saibamos que não somos capazes por hora, vale a tentativa e temos o livre arbítrio para julgar correta nossa atitude e praticá-la, ainda que em vão.

Trascrevendo palavras versadas por um grande pai denominado Preto, "A coisa só é vã quando com ela nada aprendemos.".

60. Ah se eu fosse assim...

60. Ah se eu fosse assim...

É como se eu já não estivesse mais aqui. Meu corpo por enquanto ainda fica. Mas meu coração já rodou o mundo 03 vezes. Não é amor por ninguém além de mim. Sou novo, com novos sonhos, novas ideias e desejos. Transbordando esperança e me sinto já um vitorioso realizado.

Com um pensamento e um punhado de palavras já choro de saudades e tenho a certeza de que não fico. Minha cabeça já mora longe tomada de amores pelos que ficaram. Baguncei meus planos e mudei minhas metas, só o objetivo final continua o mesmo: Viver e ser feliz...

Ninguém imagina, impossível que alguém tenha uma ideia do que se passa em mim. Já tenho tudo concretizado, já sei o que quero, e o que não quero é continuar aqui e ser quem eu menti pra mim quando disse querer ser.

Ninguém me ama mais que eu! Se meu coração me pede com tanta força e minha cabeça admite ser o melhor pra mim, não há como voltar atrás, não há o que dizer sobre ouvir alguém além de meu coração, minha cabeça e os sussurros de minha alma que me chamam a ser feliz.

Ah se eu fosse essa pessoa, seria eu mais feliz que aquele eu que tem absoluta e plena certeza de quem sou, com quem deve viver e o que é ser feliz? Sou aquele que tem certeza! Desejo felicidades aos que se vão, mas eu fico. Com o coração enamorado e com a alma latente em gritos de felicidade constante. Esse sou eu! O eu de agora...

59. Meias verdades

59. Meias verdades

Os que me seguem com olhar fútil e esquentam a língua com exercícios impiedosos degradantes não têm força nem influência suficiente a subir ao chão que eu piso. Não há o que se falar em me atingir... Os consideravelmente "normais", aqueles que prezam, ainda que inconsciente, por seguir a multidão, nem me notariam. Eles não se preocupam com detalhes e têm memória fraca, nunca reparariam algo tão sutil, ainda que diferente, salvo a rara possibilidade de contato entre "normal" e "fútil", ou com os "superiores". Esses últimos, "superiores", não se confundem com nenhum, justo por serem superiores a tão desnecessários assuntos ou até pensamentos, é certo que eles não perderiam seu precioso e valioso tempo com mediucridades.

Coloco-me pairando sobre as classificações, sou aquele que assiste, entende e controla o pensamento social. Me aproveito de fatores assim para garantir meu bem-estar e a boa convivência social.

Sou um mero indivíduo explorando a individualidade e testando socialmente minhas várias observações humanas. Gosto do impacto e da sensação que causo nas pessoas. Sou fã da busca pela felicidade e dos objetivos e metas, gosto de visar o meu ápice no horizonte, criando rotas de constante e dinâmica absorção de conhecimentos. Sei tudo o que quero saber, basta agora saber. Esse "tudo" é tudo...

58. Covardia e força

58. Covardia e força

Não é a prata nem o ouro, nem o diamante, muito menos o cristal. O que incendeia as mazelas da alma são as atitudes e o modo de pensar que, dentro de nossas cabeças, formamos sobre as pessoas. Sinto pena, dó, clemência por quem sofre com a certeza da mentira, mas tento respeitar. Às vezes solto, sem vontade, ironias ou sarcasmos quando tocam no assunto comigo, típico...

Tenho coragem para me arriscar mas sou covarde em viver. Não me sinto seguro para encarar de frente os desafios que me são propostos, mesmo assim os enfrento. Por causa do meu medo, criei em mim um mecanismo que me permite arriscar-me, talvez numa tentativa inconsciente de me livrar da vida, mas sempre continuo nela, mais forte, experiente e melhor.

Os tombos e tropeços que tanto teimo em viver são consequências do meu eu, medroso e inseguro. Minha insegurança e minha covardia me trazem a vida e me ensinam a viver. Me sinto, a cada obstáculo, mais capaz, a cada tropeço, mais astuto, a cada derrota, mais forte. Por meu medo, começo a tomar coragem. Minha fraqueza é o que me faz forte. Assim, quanto mais fraco, mais forte sou.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

57. Do alto da pedra mais alta

57. Do alto da pedra mais alta

Do alto da pedra eu me vejo, o chão se cristaliza em águas calmas e reflete o brilho do sol em meus olhos sorrindo. Sinto do alto o vento que toca minha pele me tocando a uma direção distinta da que eu sonhava, agora vejo que me encaminho a lugares pouco percorridos, mas que se tornam o meu sonho mais forte. Acessos de loucura se fazem constante em minha mente, paisagens de lugares que não conheço voam pela janela pouco embaçada.

E o dia começa a raiar, me lembro dos raios de outrora, me vejo sorrindo feliz entre amigos e em busca de um novo sonho. Apesar de novo, muito forte, muito vivo!

Sou da cor do tempo e sinto a dor da ferida que eu deixo. Me entristeço em não poder fazer da minha a felicidade dos outros apenas. Sinto à necessidade de escalar minhas próprias rochas e galgar sobre meu próprio caminhar... Sinto muito!

É como se o mundo me chamasse com uma voz serena que só eu pudesse ouvir, estou enfeitiçado e terrivelmente apaixonado pela vida que me é proposta. Como em uma hipnose profunda, não consigo me segurar, e flutuo aonde vou chegar, aonde penso querer chegar...

Me vou com uma lágrima escorrida sobre um sorriso incrível. Garanto que não deixarão de me ver, e tenho plena certeza de que sempre voltarei com novas histórias e promessas de um surto de felicidade.

Amo! Vivo! Sou! Eu quero... Eu posso... Eu vou...

terça-feira, 26 de maio de 2009

56. Duvidais

56. Duvidais

Nem tudo o que nos é exigível deve ser aceitável por aqueles que não deveriam por hora dizer concreto o abstrato. Sábios daqueles que se enchem de dúvidas e pobres tolos dos plebeus que se acham no direito de sentir convicção sobre um mundo pendente a diversas formas de visualização sobre qualquer aspecto. Tornar real o imaginário e imaginar uma realidade é tão são quanto prostrar-se sob a cama com os pés descobertos e gritar com medo de ser encontrado. Sedes loucos e viverás em plena virtude. Cure-se tornando-se são e entristeça-se pela vida viciosa que terás...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

55. Cena

55. Cena


O teatro é a porta da imaginação. O brilho nos olhos do ator acende com explosão a fogueira dos corações da plateia.

Dramatizar é expressar-se com os olhos, face, corpo e alma. Aquele que sabe atuar realmente, por um lapso temporal, acredita e passa a ser o próprio personagem. Ator é aquele que esquece que tem sua vida e passa a viver naquele momento a história, os sonhos, desejos e emoções do personagem que antes lhe fora entregue em um roteiro. Os que se apresentam sozinhos conseguem, quando no palco, se houver duplicidade ou pluralidade de personagens, enxergar ao seu lado o personagem com quem divide a cena.

Fazer da vida um eterno teatro é viver no melhor dos mundos, aquele criado pelas esperanças e desejos mais íntimos de cada um que toma em mãos uma caneta e um papel e ousa dividir com o mundo um pouco de seu sonho.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

54. O mundo

54. O mundo

Por pura sorte venho a dizer que o mundo não pertence àqueles que temem a vida. Óbvio que não falo de mim! Minha vida é quando voar, poder sentir o vento tocar meus cabelos, é testar tudo o que meu corpo é capaz e manter-me bem, prezar pela saúde e conhecer meus limites, transpassando os que eu puder e mantendo os que me causariam problemas...

O hoje deve ter tamanha superioridade sobre o ontem e o amanha. O passado deve ser guardado e até esquecido, se aproveitando do necessário e jogando fora o inútil. Viver o presente com intensidade e fazer com que o futuro continue feliz acima de tudo.

Todo mundo tem em si a trilha rumo ao próprio sucesso, basta que encontremos e esgotemos todas as nossas possibilidades. Todas as pessoas existem com um único intuito, ser feliz, a vida deve ser um grande parque de diversões...

53. Falando de amor

53. Falando de amor

Por que não falar ou pensar no amor?

Amar de maneira genérica é natural e não gera problemas imensuráveis quando expresso, na verdade esse amor é raramente manifestado com frases do tipo: "Eu te amo".

Falar isso com um pai, uma mãe, um irmão ou amigo é ainda mais simples e chega a ser também natural. O grande e real problema é aquele que nos lembra o medo, nos faz "tremer nas bases". Expressar uma confusão que se faz entre a paixão e o amor pode causar sérios problemas. Há quem diga, ou só pense, que o simples fato de se dizer "Eu te amo", tem o poder de acabar bruscamente com o sentimento do outro, quando ainda não tão bem formado. Me contenho, como com uma costura na boca, tento não pensar, desvio o olhar e assopro outra coisa qualquer, que esconde meu desejo de dizer do amor...

Não são raros os picos de sentimento excessivo em mim... Seria isso uma loucura aceitável? Amor?

Me pego pensando: Se sou capaz de amar, poderia eu desamar? Espero que não! Só o amor deve ser desamável, só quem realmente ama sabe que essa sim é uma sensação vitalícia, irrenunciável, irrevogável, pétria!

52. Sonho de amor

52. Sonho de amor

Seus olhos me tomam e sua voz me enfeitiça. Essa noite senti uma brisa de magia a me visitar. Não pude dormir por um sonho de amor que senti ao me deitar. A cama, antes fria, por um delírio, se esquentou. Me vi ao seu lado. Seria eu esquisofrênico? Pude dormir sem perceber? A noite não me fortaleceu nem me descansou, penso não ter pregado os olhos, foi tudo muito real pra isso...

Logo cedo, ao primeiro abrir dos olhos, ainda com seu cheiro na memória, não te percebi ao meu lado deitada. A brisa fria de outrora teria voltado? Você não estava mais ali...

Como num salto saí da cama, prostrei-me sobre a água fria que caía sobre mim e me vi diante do uniuverso, na caixa preta reluzente, como num susto procurei seu nome em minha lista. Teria você mudado seu nome? Não! Era cedo, nem em casa você tinha chegado ainda...

Espero que aqui você me encontre e saiba. Criei a ilusão mais real que pude, nela eu podia te ter sempre. Ainda vejo esse sonho quando fecho os olhos. Ainda te espero a cada semana...

51. Não falar de amor

51. Não falar de amor

Se eu toco ou ouço uma canção qualquer em busca de uma palavra ou inspiração, só me vem aos dedos lembranças e desejos que me ligam ao meu coração.

Poderia eu ditar ou versar sobre ideias, ideologias e teorias que hoje prendo em mim, sem perceber. Só me vejo em constante sentimentalização, sei não estar emocionalmente confuso. Seria esse o meu problema? A certeza da orientação do meu coração seria o meu conflito?

Houve o tempo em que eu afirmava só escrever sobre o que sei, nada sobre o que acho ou gostaria de achar, pelo menos não sem parcela significativa de conhecimento, ainda que empírico. Faço eu isso ainda?

50. Convite

50. Convite

Me convidaram a um encontro com o amor, não recusei nem me deixei levar. Eu já sabia o que me viria a ocorrer e me defendi sem perceber, meu inconsciente abre escudos, ele teme o sofrimento que, consciente, já me deixo sentir.

Penso estar apto a sofrer e preparado para sorrir. Espero conhecer o gosto da felicidade e viver todas as emoções que eu for capaz.

Espero poder viver...

49. Nostalgia

49. Nostalgia

Enquanto o vento toca os pingos de chuva e viaja pelos ares derramando esperança e vida, eu vejo minha vida derramar pelos meus dedos. Não há como segurar, me sinto fraco, impotente. A cada dia me encontro e percebo o que os anos fazem comigo. Tantos relógios quebrados mas o tempo não consegue parar... Ele chega e arrasta, leva consigo as esperanças e as ilusões de felicidade. Não há como fugir, ninguém é forte o bastante!

Minha vida começa a se afastar em direção à porta da rua, quanto mais o tempo a chama, mais fraco eu sou.

Ah, como eu queria um pouco mais de tempo...

Como eu queria sentir eternamente o gosto suave, hoje nostálgico, dos meus quatro anos, o cheiro do meu quarto dos treze, a imagem no espelho dos dezenove e a experiência dos trinta que ainda nem conheci desta vez...

Que saudades tenho das escolas e colégios, dos colegas e amigos, das festas e passeios pelas noites, que na época, passavam num piscar de olhos. Hoje me perco em meus medos e me prostro sobre a cama fria, curtindo sozinho o vazio de meu peito em noites tão longas quanto eu não queria que fossem. Se ao menos eu dormisse... Se alguém me acompanhasse...

Só depois de sentir o clímax da felicidade com a imaturidade natural à idade é que podemos perceber o quanto realmente era bom, e o quão feliz eu seria se a solidão da velhice viesse acompanhada a um bom e verdadeiro amor...

48. De olhos fechados

48. De olhos fechados

Já quase posso perceber quando me leio, as melhores expressões e jogos de palavras se uniram em apenas uma vertente de ideias. Se hoje tento esvaziar a mente, faço isso lembrando do que inspira minha caneta, não mais esvazio totalmente como antes.

Sempre até hoje escrevi assim, de olhos fechados... Descarto todo e qualquer pensamento que poderia me influenciar, a partir disso só deixo que a própria caneta siga seu destino, guiando meus dedos sobre as linhas que nem vejo bem. As palavras e expressões iam se formando pelas letras que eu nem pensava em escrever e delas vinham frases que provavelmente eu nem pensaria em estado normal.

Hoje é um pouco diferente, tento escrever sobre qualquer coisa, impossível, só sai o previsível, só tenho meus sentidos voltados a uma ideia, só um pensamento, que não consigo enjoar, mas não me deixa escrever sobre outra coisa...

47. Indignação

47. Indignação

Perca essa pronominação excessiva que apenas distancia, deixe cair a máscara que te faz sentir superior que uns e inferior a outros.

Iguale-se!

Tenha, por conquista, poder suficiente para debater com quem discute, humilhar quem te insulta e elogiar os elogiáveis.

Seja humilde!

Experimente o sabor de se fazer aceito por braços e pernas em todo e qualquer ambiente e tipo societário.

Seja amado! Nunca temido, nunca odiado...

46. Se eu pudesse...

46. Se eu pudesse...

Ah, se eu pudesse, ainda que por um instante, segurar por entre os dedos meu coração pulsante... Chegaria ao pé da orelha com um grito estrondoso de "Por que?". Qual a real necessidade de me fazer tremer até os olhos por alguem?

Se eu pudesse ficar cara a cara com minh'alma e pudesse por um momento sequer vomitar meus rancores e ódios sobre mim mesmo, eu assopraria um tufão de amores, e hoje, como se eu colocasse um funil, eu centralizaria e canalizaria todas as emoções em um único sentido e direção, eu faria sair do meu peito com cópia.

Não é previsivel nem possível se vislumbrar o amor dos outros, às vezes, não poucas, nem mesmo o próprio...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

45. Com outros olhos

45. Com outros olhos

Na calada de uma noite de sábado para domingo, ela acordou calada mas preferiu não abrir os olhos até o tocar do despertador, às 04 horas, como colocou na manhã anterior, quando finalizou todo o planejado e iniciou a execução do que ocorreria exatamente duas horas após o levantar.

4:30, já tinha tomado banho e café, frio, p gás acabou. De roupa com cor predominante escura e sem estampas, já com os óculos em face, destrancou a porta de acesso ao quintal e começou, pé ante pé, a sair em direção à grama que circundava o quintal quase todo.

Não pude fazer nada quando percebi o que ocorria, ainda não tinha dormido e não pude deixar de ouvir os passos pela casa, me assustei com um barulho de faca caindo no chão, mne dirigi à janela e observei silencioso pelo vidro pouco embaçado, na grama ela sentou-se e começou a se contorcer, extasiado fitei-a com um pensamento confuso e meio assustado.

Próxima à parede ela levantou a perna, como num chute, e fixou-a nos chapiscos, pareceu uma espécie de alongamento quando ela repetiu o movimento com a outra perna.

- Meu Deus! Ela se deitou no chão, o que ela pretendia com aquilo? Eu estou vendo sair abdominais? Agora flexões? Uha!

Comecei a descer as escadas o mais rápido e silencioso que pude, não queria ser notado, cheguei à cozinha e percebi a faca caída no piso agora não mais tão limpo quanto antes, saltei a janela que dava para o quintal, com voracidade, em um golpe rápido e certeiro. Fiz pouco barulho e ainda consegui me camuflar atrás de uma árvore grossa, a única dali na verdade.

Em pensamento julguei necessário que eu a surpreendesse com um estrondo súbito. Levantei-me com o máximo de barulho que pude, consegui assustá-la, num grito de terror ela me olhou com os olhos ardendo em ódio e vomitando sobre mim os piores palavrões que eu já ouvi, alguns foram até novos a meus ouvidos.

Em tom alto e com um olhar aparentemente nervoso eu disse em berros:

- Você sujou o chão com manteiga e nem pegou a faca que continua caída até agora... Eu não limpo mais nada nesta casa!

Voltei o mais rápido que pude para o meu quarto, deitei-me e pode dormir como um anjo.

Ela terminou seus exercícios e tomou a faca em mãos e com o olhar enfurecido dirigiu-se à pia, pegou um pano sujo e limpou a manteiga que caíra no chão.

Com o seu ódio escorrendo pelos olhos ela tomou outro banho e voltou-se ao quarto e então continuou a dormir, para, como outro anjo, acordar no dia seguinte e repetir os exercícios até conseguir emagrecer os tão sonhados oitenta quilinhos...

Só dormindo e comendo manteiga como antes ela não demoraria menos de trinta aninhos para cumprir o objetivo.

O que realmente importa é que, apesar de ter acordado no meio da noite, consegui uma ótima desculpa para não limpar mais a casa...

44. Valores

44. Valores

Eu sou o poder que emana de minhas próprias mãos abertas voltadas para o mundo. Nada sei e tudo busco saber. Vivo em constante conceituação, procurando no universo suas próprias respostas. Tudo é "entendível", mas nem tudo ainda posso entender, abrangendo meu vocabulário vou ganhando potencialmente as possibilidades de minha ciência.

A tudo tenho uma visão e uma possível explicação. Meu maior valor é o conhecimento e tomo para o "principal princípio", o constante pensamento racional.

A evidencia é clara quando me mostra a impossibilidade de transmissão total de minhas ideias, com isso torno-me brando e paciente, não por escolha, mas por conveniência. Espero o dia em que serei estudado e o que eu digo valorado. Posso ser só mais um pensador, não deixo de ser, só incentivo que eu não seja um dos últimos.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

43. Metas e objetivos

43. Metas e objetivos

Toda reflexão que se faz sobre a vida, principalmente quando relacionada ao futuro, é baseada em objetivos. Existem aqueles que traçam metas com vista a um objetivo principal, e os que se deixam levar pela correnteza, esperando que um dia desaguem sobre o que querem. É certo que as pessoas, por serem indivíduos, optam e vêem sua plenitude em ambientes totalmente diversos. Há os que se importam em simplesmente viver, e os que não se contentam com a vida sem dela esgotar toda a reserva possível de emoções.

Aos que se aquietam e se sentem felizes sem ser ou ter algo a mais, não venho tratar, não sou e não consigo, por hora, compreender tais atitudes.

Sempre que me ponho a abstrair uma retratação ideológica futura de mim, já visualizo o esquema, dinâmico e certo. Sou totalmente fiel a meus ideais, a minhas vontades.

Tudo o que realmente quero ser ou ter eu consigo! Só não garanto o prazo...

Em meu sistema, é impossível a idealização completa, uma vez que a eternidade é um tempo muito grande para eu ocupar todas as escalas de meus desejos. Mas a todo tempo, sempre sei quais minhas próximas metas e qual o objetivo principal que eu pretendo com elas. A partir do momento que me completo um desafio imposto por mim mesmo, não me contenho até incluir outro no seu posto.

Atualmente, pra mim é simples pensar assim, me divido completamente em várias pessoas, cada uma com um objetivo, divergentes entre si, mas todos completáveis e possíveis. Vou completando aos poucos, mas nunca deixo minha busca de lado.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

42. Provações

42. Provações

A dinamicidade é o único juízo plenamente permanente. O número de voltas do meu relógio é diretamente proporcional à quantidade de pequenas atitudes que proporcionam o latejar sinistro de meu peito. Me vejo como em termos, que não se assemelham a pontos de restauração, mas por outro lado, eras, que nascem e se dissolvem no tempo, deixando o espaço, o vazio, a lacuna que se abre dentro de minh'alma. Os passos que ficam pelo caminho hão de se desfazer, mas a estrada permanece. Outros vêm ao meu rastro, corrigindo ou errando comigo. As feridas que outrora me incomodavam agora fazem parte de mim. Hoje eu me cortei, espero que a dor se infiltre em meu corpo e que a ferida em carne viva sangre, me lembrando das provações que me faço passar.

terça-feira, 21 de abril de 2009

41. Ensaio sobre a razão

41. Ensaio sobre a razão

Vivo porque estou vivo e penso por existir. Sou o fim e o princípio de conceitos e ideias ainda não tão bem fundamentadas quanto começam a se apresentar. A escrita e a razão me acompanham deixando marcas e indicando meu caminho. Por mais pura que seja, minha consciência e a minha ciência ainda não se completam, por orientadas, tenho em vista uma prospecção futura ideológica e abstrata não convencionais e pouco perceptíveis ao paladar plebeu de vasta parcela social.

Vivo num mundo em que conceitos e crenças são enfiados coercitiva e imoralmente em ideias sociais, divulgando como real a utopia da liberdade e instigando a pseudofilosofia e o prazer por estudar a inutilidade fundamentada em mais crenças e conceitos absurdamente surreais de imoralidade discreta e disfarçada.

Espero o tempo em que se pense... Quando o discernimento for a única imposição infiltrada na carne cerebral humana. Tempo em que o ser racional perde sua irracionalidade baseada em um medo não dito por medo. Aguardo o momento em que a minha escrita e a razão de meu viver sejam descartados por discernimento próprio. Não quero que creiam no que digo, só quero que me escutem e que deixem de crer em tudo, inclusive em mim...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

40. Verse sobre mim...

40. Verse sobre mim...

Permito e peço com ar insistente que verse sobre mim as maravilhas da caridade pura. Que meus dedos se tornem instrumento de, como em explosão, demandar amor, paz, tranquilidade, bem estar, sorrisos e talvez até umas poucas gotas de conhecimento.

Se com auxilio, posso ter garantido, desde interna a externamente, que a disposição será plena. Meu desejo é poder espalhar o bem, seja por mim humanaente ou instrumentalmente.

Que me sobre um pouco de autoria e me apresente aos tantos eu-líricos que me intuem a falar em nome próprio voz alheia, como em caso extraodinário de legitimidade processual.

Me calo e tapo meus ouvidos por hora, aguardo ideologia, idéia ou sussurro próximos...

39. Rastro de tinta

39. Rastro de tinta

Antes, me recordo bem, o universo se reverenciava à minha folha de papel em branco e me doava gratuitamente uma amplitude de ideias e reflexões tão singelas quanto complexas, de preciosidade imensurável e propriedades únicas. Às vezes ainda me entristeço em pensar que não tenho, como outrora, a mesma fluidez ideológica. Minhas lembranças, ideias e ideologias, por hora, sem motivo aparente, deram as costas às minhas mãos, que não guiam com tanta facilidade os traços de tinta no caderno...

Me lembro nostalgicamente dos ditos de felicidade que eu fazia quase que de olhos fechados, que até me impressionam quando volto a ler...

Se eu desejo a sobra, a raspa do que resta a doar de mim, volto a me felicitar. Com um punhado de ajuda posso tomar o mundo em palma aberta e tê-lo sob meus pés. Tenho o dom da liberdade e o poder de fazer vibrar a carne cerebral humana, gerando a confusão e presenteando com a vida e a verdade.

Não sou discípulo de homens e nem venho pregar uma verdade divina. Aqui me encontro a semear amor e doar a colheita do bem e da lógica do conhecimento.

Meu conselho é se confundir e não se deixar enganar. "Pensar sem temer e amar sem pensar...". Viver realmente, é tirar as próprias conclusões e não se deixar moldar o formato da cabeça em formar prontas, velhas e já desgastadas. Seja as próprias mãos do artista que te esculpe, trate sua obra como se você se criasse. Não deixe que pensem por ti...

terça-feira, 14 de abril de 2009

38. Obstáculos

38. Obstáculos

Sinto o ronco do motor vibrar meu corpo e o vento tocar meus cabelos ainda molhados. A quase 100 vejo o horizonte à minha frente e o asfalto sendo engolido pelos pneus da moto. Neste momento o tempo finge parar e minhas idéias começam a se postar inertes. Não como antes, quando com o corpo preso ao chão e a cabeça voando baixo em todas as possíveis direções e sentidos. Só me acalmo quando me movimento, mente parada e corpo em movimento, e o contrário é verdadeiro.

É como quando voo ou corro saltando de um ponto A ao B, buscando fluidez e fluência nas minhas contrações musculares, a lembrar quando simplesmente levito sobre os obstáculos da vida. E todas as dificuldades do meu caminho eu vejo como um muro de concreto ou uma simples pedra ou árvore posta à minha frente. Não tento desviar, encaro e dou tudo de mim, superar é muito mais gratificante que aceitar a minha impossibilidade de ultrapassar. Só não posso aquilo que acredito não poder, exatamente por isso, sei que posso tudo e tenho o poder de conseguir...

Até hoje ainda não encontrei sequer um obstáculo insuperável, se alguém encontrar, por favor me aponte, não vou me decepcionar e darei o máximo de mim, se ainda assim não conseguir, é porque ainda não parei de tentar...

37. Feliz Páscoa!

37. Feliz Páscoa!

Se meus olhos piscam, vejo flashs de um sorriso que não me canso de sentir saudades. E os dias continuam passando, derramando felicidade em todo fim de semana...

Que a Páscoa de hoje só me traga chocolates e talvez alguns poucos quilos, se pensar em renovação, que ela seja bem criteriosa e prudente ao ponto de nem pensar em tocar meus sentimentos...

Para mim não é nem um pouco difícil me lembrar da última vez que senti meu rosto doer e a respiração ofegar de tanto rir...

Espero que esta noite não se prolongue, e que eu durma o máximo possível, só desejo acordar quando tocar meu celular e eu ouvir do outro lado qualquer coisa que me deixe saber que é a voz da garota do sorriso que vejo quando fecho os olhos. Assim, seria como dormir e acordar com ela ao meu lado, mesmo que dentro da minha cabeça.

Agora eu vi meu coração se esgoelar de saudades...

36. Me controle

36. Me controle

Quando a tristeza toca os primeiros dedos no azulejo frio da varanda da alma é tão certo quanto o brilhar do sol numa manhã qualquer, que a chuva há de trazer seu canto de melancolia e fará brotar lágrimas nos meus olhos, agora, tão sensíveis a dor e tão aguçados a sentirem-se encharcados.

De dentro do quarto, jogado a um canto no chão, eu canto e sinto por dentro a dor melódica que faz dançar tristes, como um solitário num salão de festas, sem par, meus órgãos anti sociais, que parecem apenas trabalhar, sem cessar, sem poder chorar.

Espero que hoje minhas mãos suadas e o ritmo de meu peito, juntos, se acalmem. Minhas palavras me fazem temê-las, o filtro que me era caro foi quebrado. Não vivo à penumbra nem à sombra da dúvida. Que minha língua se trave e a memória se estrague, quero saber de tudo mas não quero que nada ocorra ao ponto de eu deixar de querer saber.

Que o tempo seja meu. Eu controlo os meus pertences...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

35. Lapso de abstração

35. Lapso de abstração

O mundo é como hoje mais cedo quando em um lapso temporal flutuavam por minhas idéias ações de suposta prática que certamente ficariam apenas na abstração universal. Só é possível que se vislumbre algo que nos permite o alcanço, todo o resto é imaginário.

Como me vejo? De olhos vendados, a caminhar numa multidão de desorientados desesperados por sentir um sorriso ou evitar uma lágrima. Quanto mais me envolvo comigo, menos me conheço e mais descubro quem, como ou de quando sou...

É certo que o mundo não me torna, ou quem quero ser, mais ou menos eu do que eu deveria. Se a verdade fosse novamente sussurrada aos ouvidos de poucos, só haveria mais um louco como eu. Por que não gritar desesperadamente tudo o que se sabe? Por que não enfiar guela abaixo tudo o que devemos ou queremos educar?

Sou mais um a descobrir a verdade e menos um a ser ouvido.

34. Simplório

34. Simplório

Com o ganhar dos anos que se perdem no tempo, a sutileza da simplicidade dos fatos começa a perder a capa protetora e se mostra profundamente sensível ao lacrimejar dos olhos de quem começa a ver.

São raros os momentos risíveis em que paramos no ato e refletimos a felicidade. Não deveria, mas é mais fácil se lembrar dos tombos e tropeços do que das gargalhadas e sorrisos. Coisas simples que se viessem à escassez trariam o sal à face de praticamente todos.

Pobres daqueles que ainda não têm olhos para ver o que é realmente ser feliz. Triste dos que se sentem infelizes com apenas poucas passageiras razões para sofrer e simplesmente não conseguem perceber os bilhões de motivos para sorrir eternamente.

Quando a tristeza nos tapa nossos olhos devemos sorrir, nos deixando sofrer fica ainda mais difícil transpassar o sofrimento.

Tudo é mais fácil com um sorriso esticado na cara...

quarta-feira, 25 de março de 2009

33. Grãos ao vento

33. Grãos ao vento

Assim que o mundo cair sobre mim me postarei sob o sol e me deixarei queimar em carne viva. As palavras saem do meu peito quase aberto e meio assustado. Inquieto, óbvio que me vejo com olhos de quem finge não temer o amanhã, nem o ontem. O passado ainda me causa arrepios... Quando tomo conhecimento de causa passada que não me era previsível, me exponho às lágrimas que hão de salgar minha face.

Às vezes é simples amar, pra mim é tão fácil quanto entender as profecias, ou tão só o que seria um camelo passar num buraco de agulha...

E os dias continuam passando... Será que ninguém além de mim deseja frear o tempo? Ninguém quer viver loucuras, sentir amores e gritar o mais alto que puder quando der na telha?

O tempo é curto e quem não curtir vai sentir na pele a falta do que deixou derramar pelos dedos e fugir aos olhos, como os grãos de areia deixados espalhar à brisa, que jamais voltarão a se encontrar.

terça-feira, 24 de março de 2009

32. Banho de estrelas

32. Banho de estrelas

Se hoje eu paro e vejo o céu em noite clara e lua bela, intensa e brilhante, não me perco em devaneio fútil e insensível, mas me ponho à borda de um jardim de altas e perfumosas rosas em finitas cores luminosas. A lembrança de um sorriso singelo que derrama perfeição com poucos, quatro apenas dentes me estontece e engrandece minha visão, agora turva em lágrimas felizes. Ainda tão pequena e de tão vasto entendimento aparente...

É super o poder que ela tem de me fazer sorrir a qualquer momento. Impossível acordar com sequer uma gota de mal humor quando com ela ao meu lado, batendo uma lata em minha cabeça, pulando em cima de mim, ou gritando tão alto quanto meus ouvidos nem suportariam se fosse outra pessoa...

E a tão nova vida, que neste momento faz apenas 01 ano, 12 meses, 365 dias, 52,14 semanas, 8.760 horas, 525.600 minutos, 31.536.000 segundos, teve a audácia e o poder de transformar a minha eternidade futura em uma constante e permanente felicidade plena...

É como se uma chuva de estrelas e meteoros caísse sobre mim, me concedendo a força dos céus e me presenteando com o amor de Deus...

Que a felicidade que hoje transborda de mim possa alcançar seus caminhos, formando a melhor e mais bela estrada de flores para o seu caminhar. Delicie-se dos mais divinos e preciosos sentimentos, e sinta uma faísca do que sinto por você e terá a certeza de que a felicidade caminha ao seu lado...

Eu te Amo com todas as partes do meu coração, com todo o fluido de minha alma e com todos os segundos de uma eternidade...

31. Aliens

31. Aliens

Vivo controlado pelos que pensam em meu lugar, os que me movimentam. Não tenho capacidade de responder por mim, muito menos de perguntar. Calam-me a boca que deveria gritar... Imoral é implantar forçadamente uma moralidade arbitrária por meio de uma ditadura camuflada. Nos vendem uma falsa ideia democrata em que os incomodados não se retiram, nem tão pouco questiona ou tem voz ou vez, enquanto a verdade é que vivemos para uma sociedade e uma pseudomoralidade repressiva, que domina pelo temor e por mentiras de uma liberdade viva [Utopia!] derramadas sobre o povo tolo e leviano. O pior é que ainda pensamos ser livres, realmente...

O melhor dessa forma de autoritarismo é que quando resolvemos nos desalienar, se bons atores, e soubermos nos fingir de "normais", começamos a puxar o próprio rumo das mãos secas do poder. Sem o medo inventado por quem quer ainda mais poder, começamos a perceber a vida como ela deveria ser, e como ela poderia ser linda.

Se descontrole como eu ou deixe que os grilhões se fundam à sua carne, mas ainda assim, mesmo que remota, haverá uma sublime e rara possibilidade de extração do ferro de seu corpo. Perceba, as correntes estão ai, mas não estão presas à parede, com uma pequena porção de luz para enxergar, você veria que assim que o desejo vier, ele pode ser o passaporte para a sua liberdade. Você se prende pela mentira e pelo medo, só por acreditar, somente, sem buscar saber, sem tentar simplesmente sair andando...

segunda-feira, 23 de março de 2009

30. Amai-vos

30. Amai-vos

Tratar do amor como lei moral é inseri-lo em um contexto de justiça e caridade. Deixemos de lado todas as concepções de amor como fonte de desejo carnal ou obrigação familiar pactuada previamente com o intuito de progressão e evolução.

O amor aqui deverá ser analisado como a forma mais pura e digna de utilidade e necessidade, é se fazer acessível e executar a prática divina da justiça e caridade. Neste contexto, amar é não fazer nenhum tipo de distinção de cor, etnia, raça, sexo, religião, posição social, parentesco, amizade ou qualquer outro meio de agrupamento social. É a disposição por trabalhar em nome da justiça e da prática da caridade da forma mais ampla e efetiva. É buscar auxiliar àqueles que se mostrarem realmente necessitados.

"Amar ao próximo como a si mesmo" não nos deixa opção a determinar quem vem a ser esse "próximo". Mas nos impõe a ideia de ampliar nossa visão e prezar pela justiça plena e caridade indiscriminada e absoluta.

Amai indiscriminadamente, trabalhai em nome da justiça e praticai a caridade, essa é a máxima do amor como lei moral.

sábado, 21 de março de 2009

29. Medos

29. Medos

“Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.” (Salmo 23.4)

E assim eu digo, não temereis discordar ou concordar, crer ou descrer na minha ou na sua própria palavra. Conheça a ti mesmo, para tal, conheça o que te cerca e o que te paira ao redor. Não se aflijas em questionar a palavra de quem quer que seja, até do próprio pai ou do filho, se necessário. Já que credes estar com Deus, ainda não deverá temer mal nenhum. Nenhum pai deseja o mal de sua prole, não é por discordar dele que ele vai te condenar. Como o pastor que deve tomar com mais atenção a ovelha desgarrada e como o pai que deve aceitar de volta, com amor, o filho pródigo.

Um pai em plenas faculdades não deve optar pelo filho prodígio ao pródigo, mas dar atenção especial ao que mais precisa. Não é por discordar dele ou por não aceitar uma ou outra suposta forma de sua manifestação que devo temê-lo.

Tomai o amor como marco. Como puderas o próprio Deus incentivar que o filho necessitado fosse acolhido por seu pai, e este não acolher seus filhos como aconselha? Por que o pai não deveria condenar seu filho pródigo à tortura eterna, como espelho do Senhor?

Por questões como esta proponho que não se deve temer a Deus, mas amá-lo. E amar a Deus é lutar até o último suspiro na batalha do amor, da vida, do bem, do pai. É evoluir com consciência e racionalidade, não temendo o fogo eterno por pensar diferente ou por tentar propor novas idéias que junto às outras pouco mais antigas, olham juntas na mesma direção da luz.

sexta-feira, 20 de março de 2009

28. Contextualizando

28. Contextualizando

São fortes as sensações que me causa, tanto pela prática e hoje pela falta. O piscar dos olhos vem acompanhado por flashs que me lembram algo que nem aconteceu, ainda, espero. Parece até quando as estrelas se revoltam com os astros, e se colidem até que se forme mais um big bang. O tempo se fecha, até que resolva abrir. O mundo entristece, até que resolva sorrir.

Nem mesmo eu posso entender o que gritam minhas veias pulsantes e sangrentas, ou talvez nem quero.

A verdade é que nem eu sei do que eu falo, que fique à seu critério sobre o que entender, em qual contexto inserir tudo o que digo.

Só quero me sentir em um contexto, mas não um qualquer, quero a situação perfeita dessa vez. Espero que se abra o/a tempo, e que sejamos todos, plena e simplesmente felizes...

quinta-feira, 12 de março de 2009

27. Explosão

27. Explosão

Eu não posso me calar, minha boca treme, assim como minhas pernas, quase me desidrato pelo suor em minhas mãos também vibrantes. Meu coração se esgoela, batendo tão forte quanto alguém na porta de sua casa, sem chaves e na chuva. O vazio em mim é permanente e proporcional à distância e ao tempo, e dessa vez tenho certeza que não é fome.

A vontade de correr pra rua, sem roupas e gritando, se torna um martírio, assim como um viciado sendo tentado em tempo de sobriedade involuntária.

Mesmo sem conseguir eu me contenho, me posto sobre a folha de papel em branco e começo a rabiscar aleatoriamente, deixo minhas mãos livres e o grafite direciona meus pensamentos.

Prefiro viver explodindo a morrer sem nunca ter experimentado uma dose de amor... Tá, só por hoje me permito ser mais um apaixonado...

26. Tudo é possível

26. Tudo é possível


Hoje não vou falar de mim, mas de um caso que sei ter ocorrido por volta de não muitos anos atrás em algum lugar não muito distante, mas meio que, totalmente diferente. Para alguns, não poucos, era até incompreensível ou impossível. Digo ainda que muitos, se um dia vierem a imaginar a possibilidade de existência deste lugar, haverão de enlouquecer...

Sejais louco se quiseres me compreender, e me compreenda! Basta crer que as possibilidades flutuam diante dos nossos olhos, que podemos apanhá-las, e até comê-las, a última que experimentei tinha gosto de framboesa, na verdade nem sei se realmente existem framboesas, acho que nem existem.

O ar deste lugar pode ter a densidade que desejamos, ou nem ter densidade nenhuma, é simples alterar o espaço-tempo, ainda mais quando nem o tempo nem o espaço realmente existem, e nada é mais relativo que a distância, o tempo, a quantidade ou a qualidade das coisas. Pessoas também são coisas!

Cada indivíduo é único, cada desejo é íntimo, individual e plenamente possível. Tudo tem por base um referencial, depende de onde você se prostra para que se enxergue um, ou outro ângulo de tudo.

Após diversas visitas, o garoto que resolve não se nomear, traz consigo, para qualquer lugar que vai, um pouco de lá, e seu desejo ao chegar é sempre poder levar para onde quer que seja, a faculdade de se movimentar explorando ao máximo todas as leis. Com isso ele descobriu como deve ser realmente o movimento, descobriu com isso o seu corpo e aprendeu a ser além de tudo o que ele pensava ser capaz. Com esse ato, ele trouxe ao mundo um leque de possibilidades e de escolhas. Quem escolhe caminhar permanece só humano, quem crê e vive realmente, começa a entender a vida.

Hoje é um dia de expansão de possibilidades, quem pensa poder voar é só levantar vôo, quem duvida nem pode ver o que realmente acontece. De olhos fechados é um pouco difícil de enxergar...

terça-feira, 10 de março de 2009

25. ♥

25. ♥

Ventava forte naquele fim do dia, o sol começava a se por e, mesmo antes de cair uma primeira gota, já dava pra sentir o cheiro da chuva molhando o asfalto lá fora... Deitado eu estava no sofá da sala, com a televisão desligada, e lá permaneci. Com o pensamento leve e um olhar vago eu me vi novamente adentrando aos paralelos universos em que consigo criar situações quase reais, postas como personagens aqueles que pudessem se completar e construir algo tão forte quanto nenhum desastre nuclear poderia abalar.

Um estrondo súbito rosnou do outro lado da porta da rua, parecia uma explosão com vidros quebrando! Nem consegui me assustar... Mas tudo isso me transportou ao íntimo de minhas ilusões, como quando dormindo, percebemos que estamos sonhando e tomamos a direção de nossa fantasia.

Quando me vi com o controle de tudo, apenas uma pessoa me veio à mente, na verdade nem me toquei que poderiam existir outras... E eu sabia exatamente aonde ir, nem perdi tempo escolhendo. Muito tempo se passou em questão de segundos e, à contra gosto, comecei a voltar a mim, tentei com tudo o que pude não abrir os olhos, mas eles teimaram em tentar enxergar aquela que já não estava mais comigo, não depois de acordar. Não me contive, corri ao computador e, o mais rápido que pude, procurei por alguém de nome verde... Como aquelas quatro letras, tão pequenas, tinham o poder de acelerar e desacelerar, ao mesmo tempo, os movimentos no meu peito? Como puderas eu sentir aquilo que jurei nunca querer conhecer?

Por mais que o tempo aparenta ser curto, minhas noites de sono são tão mais longas do que podem, segundos são meses. Sem contar as noites de sol a pino, que insisto em me teleportar aos meus devaneios de tempo confuso.

Procurando viver o real, me vejo implodindo em uma explosão de sentimentos que ainda não sei sentir, e nem tenho pressa. Findadas as noites de domingo, com chuva ou vento, frio ou calor, me volto às ilusões e aos sonhos que tanto desejo ao me deitar, e tanto tenho tido a sorte de viver...



Álvaro Alencar!
07-03/09 ♥

quinta-feira, 5 de março de 2009

24. Sinta o Poder

24. Sinta o Poder

A melhor maneira de se iniciar uma reflexão é de olhos fechados, se não fosse preciso estar de olhos abertos para ler, certamente que eu te recomendaria o silêncio e a escuridão profunda.

De olhos fechados e em silencio, pense em não pensar, concentre-se no movimento do seu tórax enquanto respira lenta e profundamente, sinta o ar entrar e sair por todas as cavidades do seu sistema respiratório. Deite-se e ouça o menor barulho que conseguir, isolando os outros externos mais altos e inevitáveis. Imagine-se em uma caverna, agora comece a ouvir apenas o barulho das gotas de água que pingam das estalactites para formar as estalagmites.

Lembre-se do movimento do sol que sobe e desce o horizonte todos os dias, controle o tempo, acredite que já é noite e faça com que venha o dia, acredite. Chame a chuva se estiver calor e pare quando quiser, seque tudo antes de sair, ouça o barulho e sinta o cheiro dos pingos no asfalto. Faça o frio e o calor, sinta-os, suporte, nem é preciso que se esquente, ou se resfrie, apenas sinta...

Modifique o espaço-tempo ao seu redor e antes de sair do universo que criou, acredite, saiba que tudo foi real. Tudo foi real! Você tem o poder de fazer todos se esquecerem de tudo o que você fez, faça-o, simplifique tudo, não cause uma grande confusão. Tudo foi real mas só você que precisa saber, só você deve se lembrar...

Seja, sinta, faça, você tem o poder, você pode tudo, você é tudo, seja a força, seja o poder, seja tudo...

23. Escolhas

23. Escolhas

A vida é feita de escolhas, sempre temos duas ou mais direções. Não há a possibilidade de que algo aconteça sem que pudéssemos optar por um ou outro caminho. Algumas vezes a jornada mais curta é a mais perigosa e arisca, e a mais longa, nos traz um tédio enorme, por tamanha a sua calmaria. É sabido da impossibilidade da certeza de como é o outro caminho, aquele que optamos por não seguir. Mas é fato que quase sempre, gostaríamos de ter passado pelo que não escolhemos.

A verdade é que não há nada de fácil. Independente da escolha que façamos, sempre pensaremos como poderia ter sido se tivéssemos optado diferente. Mas, qualquer caminho que escolhêssemos seria tão quanto dificultoso. O caminho curto nos leva ao nosso destino mais rápido, porém os obstáculos são degradantes, e se fossemos pelo mais longo não veríamos obstáculos, mas até conseguir chegar, já teríamos pensado em desistir milhares de vezes, e só não desistimos, por que seria tão quanto longe voltar atrás, assim como seria triste encarar os obstáculos de volta no caminho mais curto.

Se vamos à luta, nossa escolha é a batalha, e se ficamos parados, é por que decidimos não lutar. Indo ou ficando, fazendo ou deixando de fazer, tudo consiste em escolhas, boas ou ruins, ninguém sabe, nem saberá ao certo...

quarta-feira, 4 de março de 2009

22. Pense por mim...

22. Pense por mim...




Pense por mim...

21. Em verdade

21. Em verdade

A verdade que hoje me mostra é a falta que fez-me o tempo que saíamos sem rumo e pedindo uma idéia de direção aos berros, que no final, sempre sobrava pra mesma pessoa decidir. De um tempo pra cá, por força do destino, falta de dinheiro, ou simplesmente porque o carro quebrou, preferimos ficar em casa, ou saír cada um com seu bando. Só que ainda não nos esquecemos de qual realmente é o bando, quem realmente são cada dobra do nó.

Espero que o tempo não passe tanto ao ponto de nos fazer esquecer, ou deixar de lembrar do valor daquela gasolina que a gente costumava queimar...

Por mais que talvez possa parecer que hoje estamos "cada um pra um lado", ainda não perdemos o elo que nos une. E pra mim, o martírio não existe!

Espero que o tempo passe, que as dívidas acabem, que o carro conserte, que o destino colabore, por que não estou nem um pouco afim de ficar em casa, e nem mesmo deixar um bando por outro...

terça-feira, 3 de março de 2009

20. O tempo

***Nota do autor:***
ATENÇÃO: "Antes de ler, saiba que dessa vez apenas transcrevi o que sussurrava a voz do eu-lírico em meus ouvidos. Por mais que talvez possa parecer, nada do contido no texto abaixo refere-se a algum pensamento ou ideia de Álvaro Alencar!"

20. O tempo

As coisas vão simplesmente acontecendo, os planos começam a ficar impossíveis, ou inalcançáveis, talvez altos demais e nem temos forças, ou ânimo, o suficiente para, em um salto, agarrá-los. O que outrora era denominado sonho, agora não passa de uma ilusão, ou uma brincadeira de crianças. Com o tempo a gente começa a perceber que viver sem aquilo que mais queremos, ou queríamos é uma das coisas mais fáceis e palpáveis, mais fácil ainda que conseguir o que desejamos.

Bons amigos devem sempre, uma hora ou outra, se encontrar e jogar um pouco de conversa fora, ainda que isso comece a se tornar um martírio, ainda que outras possam ser as prioridades, os que ainda se consideram amigos devem se tratar como tal.

E o tempo vai passando... É natural que as pessoas resolvam se aquietar, sair menos, prezar por encontros familiares ao invés de simplesmente queimar gasolina sem rumo e no final da noite parar em qualquer lugar, comer algo e conversar sobre tudo. Depois, com o cair das folhas do calendário, os assuntos de outrora nem interessam mais, cada um gostaria de falar de algo que sabe que nenhum dos outros teria o mínimo interesse em ouvir, assim, o silêncio reina. Todos se fecham, cada um em seu mundo, desejando agora estar em casa, talvez dormindo ou assistindo um filme em dvd com a namorada.

Reforço que ainda que as dificuldades sejam imensuráveis e incontáveis, os amigos deveriam ser preciosos, e não podem ser deixados de lado, mesmo que se saiba que não são mais necessários.

Sabemos que a separação é inevitável, depois de um tempo as longas conversas que varavam madrugadas, simplesmente se dissolvem no ar...

19. Meu guarda-roupas

19. Meu guarda-roupas

Mais um domingo chegou, quando acordei, não tão cedo quanto eu gostaria quando me deitei no dia anterior, comecei a sentir um perfume diferente pairando pela casa, um ar de diferença, energia nova começou a tomar o ambiente. Como eu poderia imaginar que eu estava prestes a realizar uma serie de acontecimentos que há tempos nem me passava pela cabeça?

Não foi uma manhã comum, não me cansei, nesse dia, não sei por que, eu não conseguia sequer voar, era como se tivesse podado minhas asas, voltei a me sentir um filhotinho, relembrei da minha infância, quando eu corria e suava pelas ruas sem camisa, pulando, brincando e sorrindo. Essa manhã foi uma daquelas que eu nem me lembrava mais, quando eu sentia meus pés firmes no chão.

Ao acordar e abrir uma porta e ver que tudo despencava sobre mim, me senti pesado, pude ver que nesse dia uma força exercia pressão sobre meus ombros, me forçando a permanecer no chão.

Minha sorte foi que a noite não tardou a vir e me voltei novamente ao meu mundo. Quando comecei a me sentir leve de novo, pude perceber um sorriso derramando no canto direito de um de meus olhos. No outro dia, manhã de sol, numa segunda-feira, na volta do carnaval, mais uma vez nem senti que eu poderia tocar o chão, e me lembrei de como sorrir.

segunda-feira, 2 de março de 2009

18. Feche os olhos

18. Feche os olhos

De um tempo pra cá meus olhos não se fecham como antes. Houve um tempo em que tudo escurecia, agora fechar os olhos é abrir uma janela no andar mais alto da mais alta torre nas montanhas azuis, é sentir o vento tocar meus lábios e desarrumar meus cabelos ainda nem tão longos quanto deveriam. Pego-me ao dia, em pensamentos distantes, que aparentam tão próximos, e quando abaixo a cabeça, sei que meus dedos realmente não tocam o chão, não posso explicar, mas tenho aprendido a sonhar.

O mais incrível é que são sempre os mesmos sonhos, nunca mais eu dormi com outra idéia em pensamento. Nem nunca mais eu deixei de dormir com outra idéia. Agora antes que eu sonhe, dormindo ou acordado, eu já sei o que se passará. Não me cansei dessa falta de criatividade, e nem vou...

Espero não ter trocado as palavras que deveriam, e nem ter feito trocadílhos que não precisavam existir. E realmente espero também que quando eu terminar de escrever, eu possa ler com a mesma idéia de quando escrevi...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

17. Voarei

17. Voarei

Eu nem tinha no que pensar quando resolvi clicar em "nova postagem" e comecei a digitar. Deixei que meus pensamentos fluissem, me levei aos devaneios que me passavam, mesmo sem saber ao certo o que eu queria pensar, ou pensava...

Acho que a verdade é que eu nem sentia nada naquele momento, a não ser uma vontade irresistível de me expressar, colocar pra fora o que eu estaria prestes, ou o que eu queria sentir.

Não consigo me entender. Nunca estou satisfeito, sempre quero mais do que eu tenho, e sempre tenho muito mais do que preciso.

Pensando bem, por ser hoje um dia diferente, eu não quero nada além do que eu tenho. Pensando ainda melhor, eu até poderia voar, tamanha a plenitude de minha felicidade...

Ah, lembrei... Eu posso! E vou... Em menos de 3 horas eu saio do chão...